Muita gente só percebe a escoliose quando a roupa começa a cair torta, um ombro parece mais alto que o outro ou uma costela fica mais aparente de um lado do corpo. O que parece apenas uma questão de postura pode, na verdade, ser um problema na coluna que costuma passar despercebido por anos. A escoliose é uma alteração que provoca uma curvatura anormal na coluna vertebral e, ao contrário do que muita gente pensa, não é apenas uma "coluna torta". Em alguns casos, ela pode causar dores, fadiga muscular, prejudicar a mobilidade e, em situações mais graves, até comprometer a função respiratória. O maior desafio é que a condição costuma ser silenciosa, principalmente na infância e na adolescência. Muitas crianças e adolescentes não sentem dor, e a alteração acaba sendo descoberta apenas quando a curvatura já está mais evidente. A fisioterapeuta Daniely Rosa, que há 20 anos atua com postura, ortopedia e pilates, explica que identificar a alteração cedo faz toda a diferença. "Quando a alteração é identificada no início, é possível acompanhar a evolução da curvatura, orientar a família e indicar a melhor conduta para cada caso. Nem toda escoliose exige o mesmo tratamento, mas toda suspeita precisa ser avaliada." A forma mais comum da doença é a Escoliose Idiopática do Adolescente, que surge entre os 10 e os 16 anos, justamente durante o estirão de crescimento. Ela representa cerca de 80% dos casos e é mais frequente em meninas. Por isso, pequenos detalhes do dia a dia merecem atenção: ombros em alturas diferentes, cintura desalinhada, inclinação do tronco, uma costela mais saliente de um lado do corpo e até mudanças no caimento das roupas podem ser sinais de alerta. Segundo a fisioterapeuta Stéfany Vanin, a ausência de dor não significa que está tudo bem. "Em muitos casos, a escoliose começa de forma silenciosa. Por isso, os pais devem observar a postura no dia a dia, no caimento das roupas, na posição dos ombros e até na forma como a criança ou o adolescente se inclina. Pequenas assimetrias podem ser o primeiro sinal de que a coluna precisa ser avaliada." Depois do diagnóstico, o tratamento varia de acordo com cada paciente. Em alguns casos, a recomendação é apenas acompanhamento e exercícios específicos. Em outros, pode ser necessário o uso de colete e, em situações mais graves, uma avaliação cirúrgica. "É preciso avaliar a idade, o potencial de crescimento, os sintomas, a limitação funcional, o impacto na rotina e o risco de progressão. Cada paciente precisa ser olhado de forma individual", explica Daniely. Observar esses sinais e procurar ajuda cedo pode fazer toda a diferença para a saúde da coluna e para a qualidade de vida.
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