O Presidente da Nigéria, Bola Tinubu, defendeu, na quinta-feira, em Abuja, que os países africanos devem assumir um maior controlo sobre os seus minerais estratégicos, deixando de exportar apenas matérias-primas e apostando na transformação local, industrialização e criação de valor. A posição foi apresentada durante a abertura da quinta Cimeira Africana de Recursos Naturais e Energia, num momento em que cresce a procura mundial por minerais essenciais para a transição energética.
Tinubu afirmou que África possui uma parte significativa das reservas mundiais de minerais críticos, mas continua a beneficiar pouco da riqueza gerada por esses recursos, devido à exportação de produtos em estado bruto para mercados internacionais.
Segundo o chefe de Estado nigeriano, o continente deve aproveitar a crescente procura global por minerais como lítio, grafite, cobalto, manganês e terras raras para desenvolver indústrias locais, criar emprego qualificado, promover a transferência de tecnologia e aumentar as receitas fiscais.
O governante defendeu igualmente uma maior coordenação entre os países africanos na definição de políticas para o sector mineiro, com o objectivo de reforçar o poder negocial do continente perante investidores e multinacionais. Para Tinubu, uma estratégia comum permitirá garantir que uma parte significativa dos benefícios económicos permaneça em África.
A intervenção acontece numa altura em que a transição energética mundial está a aumentar a procura por minerais utilizados no fabrico de baterias para veículos eléctricos, painéis solares, turbinas eólicas e outros equipamentos tecnológicos, colocando o continente africano no centro da corrida global por recursos estratégicos.
Especialistas consideram que a industrialização do sector mineiro poderá representar uma oportunidade para acelerar o crescimento económico africano, reduzir a dependência das exportações de matérias-primas e diversificar as economias.
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