Muita gente corta a “tampa” da cebola, da cenoura ou da beterraba e joga direto no lixo. Parece resto, mas elas podem virar uma mini-horta improvisada na pia da sua cozinha e, de quebra, ajudar a dar sabor e temperar pratos comuns do dia a dia. Hoje, no Trilha Orgânica, a agricultora urbana Márcia Chiad explica como não desperdiçar as tampas de legumes e o que evitar nessa jornada. Aqui, até batata-doce esquecida na geladeira pode ganhar uma segunda vida com água, luz e um pouco de paciência. A prática é simples, barata e ajuda a reduzir o desperdício. A ideia não é produzir uma lavoura na bancada, calma lá. Mas é possível colher pequenas folhas para finalizar saladas, incrementar refogados ou temperar preparos. É comida de verdade do seu quintal, neste caso, da cozinha para a panela. Entre os vegetais mais fáceis de rebrotar está a cebola. O segredo é preservar a base, como se fosse uma tampa mais grossa, e colocá-la em um recipiente com pouca água. Com o passar dos dias, novas folhas começam a surgir. Elas podem ser usadas como cebolinha em omeletes, saladas, sopas, arroz e outros preparos. “É quase uma ceboleira em miniatura crescendo na cozinha”, brinca Márcia. A cenoura não vai formar outra raiz, mas a parte superior pode brotar folhas novas, macias e aromáticas. Elas podem ser usadas para finalizar saladas, enriquecer refogados ou entrar no preparo de molhos. A beterraba segue o mesmo caminho. A parte de cima, normalmente descartada, pode brotar com facilidade quando colocada em contato com a água. “As mini folhinhas de beterraba que brotam do pedacinho que iria para o lixo são um verdadeiro luxo. Ficam perfeitas para finalizar pratos e têm um sabor bem delicado”, explica Márcia. Segundo ela, as folhas mais jovens também são nutritivas e ricas em minerais. Quem nunca viu uma batata brotando em cima da geladeira da avó? Além de ser usada para decoração, a batata-doce que passou do ponto não precisa ir direto para o lixo. Para Márcia, esse é um daqueles exemplos que misturam memória afetiva, aproveitamento e alimentação. “Na minha infância sempre tinha uma batata-doce brotando no alto da geladeira. Lembro que minha mãe usava apenas para enfeitar a cozinha, mas as folhas da batata-doce são ricas em betacaroteno, vitamina C, ferro e cálcio”, conta. Hoje, ela usa as folhas na alimentação. “Eu sempre as uso refogadas, como couve, ou em recheios de tortas salgadas”, diz. Além dos legumes, sementes também podem entrar nessa experiência. A chia, por exemplo, germina em poucos dias. Basta espalhar as sementes sobre um prato úmido e manter a umidade até os primeiros brotos aparecerem. Eles podem ser usados em sanduíches, saladas, vitaminas e até na decoração dos pratos. Outros alimentos também podem rebrotar na cozinha, como alho, gengibre, alface, alho-poró e salsão. O cuidado principal é manter pouca água, trocar quando necessário e deixar os recipientes em local iluminado, sem exagero de sol direto. “É só ter um olhar ao redor da nossa cozinha e perceber que a natureza não trabalha com desperdício e aquilo que vimos como resto ainda guarda energia para crescer novamente”, afirma. Um detalhe importante é que, depois que os legumes brotam, já não é possível comê-los, pela toxicidade. Aqui, está seguro o consumo apenas dos brotos.
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