Mães empreendedoras viram exemplo contra machismo dentro de casa

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Mães empreendedoras viram exemplo contra machismo dentro de casa

Mães empreendedoras viram exemplo contra machismo dentro de casa

Na esquina de uma avenida no Bairro Nova Lima, em Campo Grande, uma borracharia aberta até a madrugada virou ponto de partida para uma discussão maior: quando uma mulher trabalha, sustenta a casa e toma decisões, os filhos também aprendem. Esse é o tema do novo episódio do Entre Áudios, podcast em parceria com o Campo Grande News , que aprofunda histórias publicadas pelo jornal. Com o título “Herança de Coragem”, a produção reúne relatos de Aline Taynara Tinoco, Hannah Quize e Tatiana Agnelli para mostrar como o empreendedorismo feminino, muitas vezes iniciado por necessidade, também pode deixar uma herança de autonomia dentro de casa. Aline, de 39 anos, é mãe de quatro filhos e mantém uma borracharia no Nova Lima com atendimento do meio-dia às 4h, todos os dias, inclusive domingos e feriados. O negócio começou há cinco anos, depois que um plano inicial de lava-jato não deu certo. Com a separação, ela seguiu sozinha no ponto. “O lava-jato fechou e eu fiquei só com a borracharia. Nesse meio tempo, me separei e continuei tocando o negócio”, conta no episódio.  Produção também mostra que empreender, para muitas mulheres, não nasce de um plano perfeito, mas de urgências bem concretas. Hannah Quize começou a vender comida quando estava desempregada, grávida e sem família em Campo Grande. Tatiana Agnelli transformou a costura criativa em negócio e envolveu os filhos na rotina de produção, vendas e aprendizado. Nos dois casos, o trabalho entrou na casa não só como fonte de renda, mas como exemplo diário. Esse episódio amplia essa história com dados e análise. Em Mato Grosso do Sul, mais de 160 mil mulheres estão à frente de negócios. Para Vânia Bispo Torraca, analista do Sebrae MS (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Mato Grosso do Sul), esse movimento tem impacto além da renda. “As crianças crescem vendo que a mulher pode trabalhar com o que quiser. Isso ajuda a formar uma visão mais igualitária”, diz. O podcast evita tratar o empreendedorismo como solução mágica. Vânia lembra que muitas mulheres chegam ao próprio negócio depois de situações de vulnerabilidade, inclusive violência doméstica. No episódio, ela afirma que cerca de 40% das mulheres que sofreram violência veem no empreendedorismo uma forma de sair dessa situação, e 48% conseguem romper o ciclo depois que passam a ter renda própria.

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