Com grades abertas para a rua, rachaduras em muros e prédios em ruínas, a antiga Clínica Carandá, na Avenida Mato Grosso, no bairro Carandá Bosque, em Campo Grande, tem previsão de dar lugar a um condomínio residencial, mas, no momento, o retrato é de abandono. Desativado desde 2020, o imóvel hoje pode ser acessado sem qualquer dificuldade por diferentes pontos do terreno, situação que favorece a ocupação por pessoas em situação de rua e agrava a deterioração da estrutura. A reportagem esteve no local na sexta-feira (26) e encontrou um cenário de abandono. O mato tomou conta de parte da área onde antes funcionava a clínica psiquiátrica e a unidade de tratamento para dependentes químicos. Após o encerramento das atividades na Avenida Mato Grosso, a instituição transferiu o atendimento para a Avenida Gury Marques. Na entrada principal, voltada para a Avenida Mato Grosso, o portão do estacionamento estava fechado e ainda exibia uma placa com a mensagem "não entre sem autorização". No entanto, as grades metálicas ao lado estavam abertas e davam acesso direto ao terreno. Nos fundos, pela Rua Antonio Theodorowich, a situação é semelhante. O trecho que deveria estar isolado por tapumes metálicos apresenta aberturas que permitem a entrada de qualquer pessoa. Dentro da área, é possível encontrar entulho espalhado, vegetação alta e sinais evidentes de abandono. Os prédios também mostram o avanço da deterioração. Diversas construções estão sem portas e janelas, com paredes danificadas e tijolos aparentes. No interior dos imóveis, a reportagem encontrou roupas, colchões improvisados, lixo espalhado e vestígios de fogueiras, o que indica que o espaço serve de abrigo para pessoas em situação de rua. Problema antigo - Essa não é a primeira vez que o estado do imóvel chama atenção. Em maio do ano passado, o Campo Grande News mostrou que documentos aparentemente com informações pessoais de ex-pacientes, ex-funcionários e da própria clínica permaneciam espalhados pelo local, mesmo anos após a desativação da unidade. Desde então, a situação parece ter se agravado. A falta de manutenção permitiu o avanço da vegetação, aumentou o desgaste das edificações e facilitou o acesso ao interior do complexo. O cenário contrasta com os planos anunciados para a área. Conforme divulgado anteriormente, o terreno, avaliado em aproximadamente R$ 25 milhões, foi adquirido pela FRZ Engenharia, que pretende construir um condomínio residencial com quatro torres e 418 apartamentos. O projeto prevê ainda seis salas comerciais e será executado em três etapas. Em abril do ano passado, o empreendimento passou por audiência pública para discussão do EIV (Estudo de Impacto de Vizinhança). No entanto, o projeto ainda não saiu do papel e o terreno permanece abandonado em uma das regiões mais valorizadas de Campo Grande. Limpeza regular - A reportagem entrou em contato com a FRZ Engenharia para saber se o cronograma do empreendimento permanece mantido, se há previsão para o início das obras e se a empresa pretende adotar medidas para reforçar a segurança e a limpeza do terreno até o início da construção. Em resposta, a assessoria da FRZ Engenharia informou que a limpeza do terreno foi concluída na última sexta-feira (26), mesmo dia em que o Campo Grande News esteve no local. Segundo a empresa, os serviços começaram na semana passada e foram finalizados na sexta, quando o local ainda passava pelos últimos trabalhos de manutenção. Sobre a conservação da área, a FRZ Engenharia afirmou que realiza limpeza periódica do terreno enquanto as obras não começam. "Estamos trabalhando ativamente para manter o terreno do empreendimento limpo e conservado. Inclusive, foi realizada uma limpeza geral na semana passada. Essa limpeza é feita mensalmente, e estamos sempre acompanhando para manter um lugar seguro e limpo para toda a região", informou a empresa, que encaminhou fotos da manutenção realizada. A empresa também afirmou que o projeto do empreendimento segue ativo e em tramitação nos órgãos públicos municipais. Conforme a nota, a previsão é de que o lançamento ocorra no fim de 2026 ou no início de 2027, dependendo do andamento dos processos de aprovação. A Prefeitura também foi questionada sobre a fase de tramitação do empreendimento, se o projeto já recebeu todas as aprovações necessárias ou ainda depende de licenças e análises, além do resultado da audiência pública do EIV (Estudo de Impacto de Vizinhança). O espaço segue aberto. [**] Matéria editada às 9h31 do dia 29 de junho de 2026 para acréscimo da resposta da FRZ Engenharia
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