Foram 18 meses de estrada, sete cidades e quatro países para contar a história de uma ideia que, por muito tempo, pareceu impossível. A cineasta sul-mato-grossense Mara Silvestre lança, no próximo dia 30, em Campo Grande, o documentário "Integracionistas: O Rio, a Rota e o Mundo", que resgata os personagens que sonharam a Rota Bioceânica quando ela ainda era vista como uma utopia. Com imagens inéditas e atas de reuniões históricas, o filme revisita as primeiras articulações de um corredor que hoje ganha forma com a construção da ponte de 1.300 metros entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai. Hoje, a Rota Bioceânica é vista como uma promessa de encurtar o caminho entre a América do Sul e a Ásia. Décadas atrás, porém, o cenário era outro. Onde agora há uma ponte em fase final de construção, existia apenas uma balsa cruzando o Rio Paraguai e um grupo de pessoas que insistia em dizer que ali passaria um corredor ligando dois oceanos. É justamente sobre essas pessoas que fala o documentário. A produção, realizada pela Água Comunicação TV e contemplada pelo edital do audiovisual da Lei Paulo Gustavo, levou dois anos até chegar ao corte final. As entrevistas foram gravadas em Campo Grande, Assunção, Loma Plata e Chaco Central, no Paraguai, Iquique, no Chile, Salta, na Argentina, e Tarija, na Bolívia. A obra estreia em duas pontas do corredor bioceânico, em Campo Grande, considerada o centro das articulações brasileiras, e em Iquique, no Chile, porta de saída para o Oceano Pacífico. Antes mesmo de a rota estar totalmente operacional, o documentário une os dois oceanos pela cultura. O Rio Paraguai como fio da história Em vez de colocar a rodovia no centro da narrativa, o documentário escolhe o Rio Paraguai como ponto de partida. Isso porque um dos primeiros equipamentos de integração entre os países foi justamente a balsa que fazia a travessia do rio. Com o passar dos anos, Porto Murtinho deixou de ser uma cidade isolada e se transformou em uma peça estratégica para o projeto de integração continental. A partir dessa simbologia, o filme costura memória, identidade e futuro, mostrando que a Rota Bioceânica vai além de obras e acordos comerciais e também representa a aproximação entre povos e culturas. Os "santos loucos" da integração O documentário também recupera uma expressão que acabou se tornando um lema entre os defensores da integração sul-americana. A frase foi dita em 1999 pelo ex-senador argentino Roberto Augusto Ulloa, durante a chegada da primeira caravana internacional a Porto Murtinho. “As grandes obras as sonham os santos loucos; as executam os lutadores natos; as realizam os fazedores natos; as desfrutam os felizes sensatos; e as criticam os imbecis crônicos”. A expressão passou a ser repetida em vários idiomas pelos chamados integracionistas, entre eles Heitor Miranda dos Santos, Myrian dos Santos, Jorge Soria, Gustavo Rauch Coll e Mario Cossío, todos personagens presentes no documentário. “Inseri essa frase porque ela é um registro histórico. Todos eles, em seus respectivos idiomas e países, passaram a repeti-la como um mantra, como um lema da integração. Ela ficou marcada na memória daqueles que participaram das primeiras caravanas e simboliza todo o processo de construção desse sonho coletivo”, pontua a cineasta. Homenagem a um dos pioneiros A produção também reforça a importância de Heitor Miranda dos Santos, um dos principais articuladores da Rota Bioceânica. Atualmente, a Comissão de Relações Exteriores do Senado analisa o Projeto de Lei 780/2023, que propõe dar o nome de Heitor ao trecho brasileiro da ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta. Ex-prefeito de Porto Murtinho, promotor de Justiça e secretário estadual do Trabalho, ele é uma das figuras centrais das primeiras articulações e também um dos fios condutores do documentário. O relator da proposta é o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que também participa da obra. Anote na agenda as datas de lançamento Em Campo Grande – 30 de junho, às 19h, no Teatro Aracy Balabanian, no Centro Cultural José Octávio Guizzo, localizado na Rua 26 de Agosto, 463. A entrada é gratuita. Em Iquique (Chile) – 27 de julho, às 18h30, no Salón Tarapacá.
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