Durante anos eles se deram bem … Muito bem … Viajavam juntos … Passavam Natal juntos … Criaram os filhos praticamente dentro da mesma empresa e nunca tiveram grandes problemas. Até que precisaram decidir o futuro do negócio. Um queria comprar mais terra. Outro queria reduzir risco. Um queria reinvestir. Outro queria receber renda. Um queria crescer e o outro queria vender. Imagina essas conversas. E, de repente, irmãos que passaram uma vida inteira caminhando lado a lado descobriram algo que ninguém havia lhes ensinado. Ser irmão é uma coisa. Ser sócio é outra. Porque irmãos são unidos pelo afeto. Sócios precisam conviver com interesses legítimos que nem sempre são iguais. O problema não é discordar. Toda sociedade saudável tem divergências. O problema é não existir uma forma clara de resolver essas divergências. Enquanto o pai está vivo, normalmente existe alguém ocupando esse papel. A palavra final tem dono. As decisões têm direção. Os conflitos têm árbitro. Mas quando ele sai da mesa, a família precisa substituir liderança por governança. E muitas não conseguem. Não porque falte inteligência. Não porque falte caráter. Mas porque ninguém preparou a família para essa fase. Prepararam os filhos para receber patrimônio. Mas não para dividir decisões. E existe uma diferença enorme entre as duas coisas. Receber patrimônio é um evento. Tomar decisões juntos é um processo que dura décadas. Por isso tantas empresas familiares enfrentam dificuldades justamente depois da sucessão. Não porque os herdeiros sejam piores. Mas porque a estrutura continuou dependendo de uma pessoa que não está mais ali. Toda família empresária deveria se fazer uma pergunta simples: Se amanhã ninguém concordar, como a decisão será tomada? Porque o futuro do patrimônio raramente é definido pelo tamanho da herança. Na maioria das vezes, ele é definido pela qualidade das decisões tomadas depois dela. E poucas famílias percebem isso antes que o conflito apareça.
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