Em 1.919, quarenta anos antes da cooperativa de ovos em Terenos, os japoneses criaram em Campo Grande a primeira cooperativa que temos noticia nesta região. Foi difícil acostumar-se aos costumes e a língua dos brasileiros. Educação, disciplina, alimentos e bebidas, tudo era diferente do Japão. A saudade da terra natal rasgava a pele. Não tinham dinheiro. A imensa maioria trabalhando a terra, pouco colhia. Quem conseguia vender bem suas colheitas, oferecia-se para pagar alguma bebida barata aos companheiros. Nos aniversários e casamentos, na ausência de sakê, a cachaça animava e alegrava. Nakano, Guenka e Nakao fundam a fábrica. O primeiro a notar a demanda pela aguardente foi Gonshiro Nakano. Em 1.919, ele e seus companheiros Kosuke Guenka e Zenei Nakao construíram uma fábrica de aguardente na região do Segredo. As terras férteis produziam excelente cana-de-açúcar. Venderam bem no mercado campo-grandense. Surge a cooperativa. O sucesso chamou a atenção de outros imigrantes do Japão. Alguns começaram a produzir independentemente a cachaça. Multiplicaram o número de produtores. Em 1.932, já era mais de uma dezena de chácaras japonesas produzindo a aguardente. Começaram a entender que tinham de se organizar coletivamente. A fim de evitar a concorrência predatória, foi criada a cooperativa dos produtores da bebida. O primeiro presidente foi Takemori Oshiro. A produção chegou a produzir 400 mil litros anuais. A última aguardenteira foi do Guenka. Mas, em 1.938, um rico fazendeiro brasileiro os levou à decadência. Criou uma nova fabrica na estrada para Cuiabá. A estrutura era muito maior. Não tinham como competir. Em 1.940, a cooperativa da cachaça foi dissolvida. Restou uma só fabrica. Em 1.964, Tokushin Guenka fechou a última das aguardenteiras administradas por japoneses.
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