Enquanto hospitais de todo o país buscam reduzir custos e ampliar a qualidade da assistência, uma experiência desenvolvida em Mato Grosso do Sul ganhou projeção nacional por mostrar que sustentabilidade também pode ser uma estratégia de cuidado. O projeto Lixo Zero, implantado pelo Hospital São Julião, em Campo Grande, foi apresentado durante a 6ª Assembleia do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), em Brasília, como uma das boas práticas de gestão ambiental no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa foi levada ao encontro pelo secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, e pelo gerente de Política Ambiental do Hospital São Julião, Bruno Madalena. O projeto chamou a atenção por mostrar que a redução de resíduos hospitalares pode caminhar lado a lado com economia de recursos, responsabilidade ambiental e inclusão social. Entre as medidas adotadas estão a substituição de marmitas de isopor por recipientes de alumínio reciclável, a trituração de resíduos de vidro para reutilização na construção civil e a compostagem de aproximadamente sete toneladas mensais de resíduos orgânicos. O adubo produzido é utilizado em um bananal cultivado pela própria instituição, e a produção retorna ao refeitório do hospital, fechando um ciclo de reaproveitamento de materiais. Outro diferencial é o impacto social da iniciativa. O centro de triagem dos recicláveis emprega pessoas em regime semiaberto, unindo política ambiental à reinserção social e demonstrando que a gestão hospitalar pode gerar benefícios que ultrapassam os limites da assistência em saúde. A apresentação ocorreu durante uma assembleia do Conass que reuniu secretários estaduais para discutir temas estratégicos para o fortalecimento do SUS, como linhas de cuidado, gestão ambiental, segurança alimentar e pautas da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), principal instância de pactuação entre União, estados e municípios na área da saúde. Fundado em 1941 para atender pacientes com hanseníase, o Hospital São Julião consolidou-se ao longo das décadas como referência em reabilitação e cuidados paliativos. Agora, passa a ser reconhecido também pelo modelo de sustentabilidade implantado em sua rotina, reforçando que inovação na saúde pode envolver não apenas tecnologia e atendimento, mas também novas formas de gerir recursos, reduzir impactos ambientais e promover responsabilidade social.
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