Nem a desvantagem de 3 a 0 para o Brasil no primeiro tempo diminuiu o entusiasmo dos haitianos que acompanham a partida da Copa do Mundo na Capela Divino Espírito Santo, em Campo Grande. Durante o intervalo do confronto desta sexta-feira (19), torcedores mantiveram a confiança na seleção caribenha e apostaram em uma reação na etapa final, mesmo diante da superioridade brasileira. Estudante e comissária de bordo, Julienne Luc, de 35 anos, admitiu que os primeiros 45 minutos foram difíceis para o Haiti, mas disse que a torcida não perdeu a esperança. "Foi um pouco difícil, mas ainda tem mais uma etapa. Vamos continuar torcendo para ver o que acontece. A gente segue acreditando e esperando que tudo dê certo", afirmou. O barbeiro Riguenson Jeune, de 24 anos, também reconheceu a força da Seleção Brasileira, mas acredita que a equipe haitiana pode apresentar um desempenho melhor após o intervalo. "Foi um pouco difícil para nós, mas o Brasil é o Brasil. Acho que no segundo tempo vamos fazer tudo", disse. Questionado sobre o placar final, ele apostou em vitória brasileira por 3 a 2. Apesar da admiração pelo futebol brasileiro, Riguenson não escondeu para quem torce nesta noite. "É difícil porque o Haiti é minha pátria. Sempre torço para o Brasil, mas hoje é pelo Haiti", resumiu. Entre os brasileiros presentes na confraternização, o clima também era de expectativa. Convidado por amigos haitianos para acompanhar a partida, o motorista Claudinei dos Santos, de 50 anos, participa de um bolão organizado durante o evento. "Eu coloquei 4 a 0. Minha esposa apostou em 3 a 0. Vamos ver se sai mais um gol", comentou. A mesma confiança demonstrou Chamyr A. Jean, de 43 anos, que acertou o placar parcial da partida ainda antes da bola rolar. "Eu falei que o Brasil ganharia por 3 a 0. Agora vamos ver se termina assim", disse. A confraternização reúne dezenas de haitianos e brasileiros em uma iniciativa de integração organizada pela Pastoral dos Migrantes. A monitora do grupo, Andreia Leal, explica que a ação aproveitou o encontro entre as duas seleções para fortalecer os laços entre as comunidades. Segundo ela, a ligação dos haitianos com o Brasil vai além do futebol e ganhou força após o terremoto que atingiu o Haiti em 2010. "Eles sempre acompanharam a Seleção Brasileira. Existe uma identificação muito grande. Hoje tem disputa porque é Brasil contra Haiti, mas eles ficam felizes por viver esse momento e ver os dois países em campo", finalizou.
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