O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) instaurou inquérito civil para apurar as medidas adotadas para reduzir a demanda reprimida de cirurgias cardíacas pediátricas na Santa Casa de Campo Grande. Documento produzido pelo órgão aponta que há pacientes à espera desde 2019. No início de 2026, pelo menos 31 crianças aguardavam pelo procedimento, enquanto outras 42 solicitações estavam pendentes para consulta em cirurgia cardíaca pediátrica, etapa que antecede a definição da necessidade de cirurgia. Atualmente, segundo a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), apenas a Santa Casa possui habilitação para realizar cirurgias cardíacas pediátricas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em Mato Grosso do Sul, atendendo pacientes de todo o Estado. O caso começou a ser apurado em 2025, por meio de uma Notícia de Fato instaurada pelo MPMS. Diante das informações reunidas, o procedimento foi convertido em inquérito civil para investigar as medidas adotadas pela Prefeitura de Campo Grande, pelo Governo do Estado e pela Santa Casa para reduzir a fila de espera. Nos autos, a Santa Casa informou ao Ministério Público que ainda não havia adotado planejamento para retomar as cirurgias eletivas porque os seis leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) destinados ao pós-operatório estavam ocupados por recém-nascidos submetidos a procedimentos de urgência e emergência. Segundo o hospital, a situação impedia a realização das cirurgias programadas. Em março de 2025, a fila de espera contava com 83 crianças. Em setembro do mesmo ano, o número caiu para 61 pacientes. Apesar da redução, o Ministério Público destaca que, desde outubro de 2025, todas as cirurgias cardíacas pediátricas realizadas na instituição ocorreram em caráter de urgência ou emergência. De acordo com a Santa Casa, as cirurgias eletivas foram suspensas devido ao desabastecimento de materiais médico-hospitalares e de órteses, próteses e materiais especiais, além da paralisação do serviço de anestesia no último trimestre de 2025. O hospital informou ainda que a priorização dos pacientes segue critérios de gravidade. Crianças com cardiopatias congênitas mais complexas e recém-nascidos que necessitam de cirurgia imediata têm preferência, assim como pacientes com cardiopatias congênitas cianóticas que aguardam procedimentos eletivos. Outro ponto destacado pelo Ministério Público é que, até abril de 2026, tanto a Sesau quanto a SES (Secretaria de Estado de Saúde) ainda não haviam respondido integralmente aos questionamentos sobre judicializações, gastos públicos e medidas adotadas para enfrentar a fila de espera. Em nota, a SES informou que acompanha permanentemente a assistência prestada, mantendo diálogo com os serviços habilitados e monitorando a execução dos atendimentos. A secretaria, no entanto, não respondeu aos questionamentos sobre judicializações e medidas específicas para reduzir a fila. A Sesau e a Santa Casa não responderam aos pedidos de posicionamento da reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação. O inquérito segue em andamento. Uma reunião entre Ministério Público, SES, Sesau e Santa Casa está marcada para 30 de julho, quando deverão ser apresentados dados atualizados sobre a fila de espera e as medidas para ampliar a oferta de cirurgias cardíacas pediátricas no Estado.
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