Descendente de italianos e com processo de cidadania encaminhado, o ex-diretor da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), Paulo Henrique Muleta Andrade, fez a prova do concurso da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) concorrendo à vaga destinada a negros e pardos. A banca de heteroidentificação, entretanto, não o reconheceu como negro. Ele acabou classificado em 14º lugar na listagem final, que foi publicada esta semana. Conforme os dados e documentos da Fundação Carlos Chagas, responsável pelo concurso, Muleta fez sua inscrição e a prova como pessoa parda. Na data de avaliação de heteroidentificação, em maio, ele não foi reconhecido como negro ou pardo, mas foi mantido normalmente nas demais etapas do certame e ficou em 14º lugar na classificação geral da vaga de analista legislativo (área administrativa). Paulo Henrique, segundo a Justiça de Mato Grosso do Sul, buscava a cidadania italiana para fugir para Vicenza, na Itália, e escapar das ações judiciais e possíveis penas por corrupção e lavagem de dinheiro no Brasil. Ele foi preso em 2024 e em março de 2025 pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Na decisão judicial que determinou sua prisão, no ano passado, ele havia solicitado autorização para viajar à Espanha, alegando que participaria de um casamento. No entanto, segundo o pedido do Gaeco, acatado pelo juiz Robson Celeste Candeloro, da 2ª Vara Criminal de Campo Grande, mensagens interceptadas indicam que sua real intenção era deixar o Brasil definitivamente. Vale destacar que Paulo Henrique é réu e não condenado, até o momento. Nenhum dos processos a que ele responde já transitou em julgado.
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