Com camisetas por justiça, família acompanha júri de travesti morta em presídio

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Com camisetas por justiça, família acompanha júri de travesti morta em presídio

Com camisetas por justiça, família acompanha júri de travesti morta em presídio

Kalu Além, de 58 anos, mãe de Darlan Alves Lemos, travesti conhecida como Dandara, acompanhou nesta quinta-feira (25), no 1º Tribunal do Júri, o julgamento dos dois réus acusados de matar a filha dentro do IPCG (Instituto Penal de Campo Grande), no dia 22 de março do ano passado. Ela estava ao lado de familiares, que vestiam camisetas com a foto da vítima e a frase: “Justiça para sempre, Dandara”. Ao entrarem no plenário, os familiares colocaram as camisetas do avesso. Sentaram no banco dos réus Rita Cadillac, registrada civilmente como Maick Franklin Raimundo de Oliveira, e Flabson Amaro dos Santos Alves. Ao conversar com a reportagem, Kalu disse que, desde a morte da filha, a vida não é mais a mesma. “Eu não tenho mais alegria como eu tinha quando eu tinha minha filha. Hoje estou aqui esperando que a Justiça seja feita”, afirmou. A mãe disse esperar a condenação dos dois acusados. “Eu espero que os dois sejam condenados. Meu coração vai sair feliz daqui se os dois forem condenados, porque o que eles fizeram com minha filha não se faz nem com animal”, declarou. Emocionada, Kalu também falou sobre a forma como a filha foi morta. “Eles amarraram minha filha, ela foi torturada, isso para uma mãe é a pior coisa do mundo, não é fácil, mas eu creio que a Justiça será feita”, disse. Após acompanhar os depoimentos dos réus, a mãe afirmou que os relatos apresentados em plenário não são verdadeiros. “Até agora eles só mentiram, não estão sendo verdadeiros. Eles disseram que minha filha era do PCC, é mentira, ela convivia com eles, mas nunca foi PCC”, afirmou. Durante o julgamento, Rita Cadillac negou participação no assassinato e disse ser inocente. Ela afirmou que ela, Flabson e Dandara tiveram relacionamento em momentos diferentes. Segundo Rita, no momento das agressões, tentou chamar atenção dos demais detentos e dos policiais penais. “Enquanto estava em socos e pontapés eu estava de boa, mas quando amarrou a mão e o pé [...] comecei a dar socos na porta e pedi para os outros detentos sacudirem as grades”, declarou. Rita também afirmou que os agentes penais sabiam do desentendimento entre Flabson e Dandara e acusou os servidores de homofobia. Segundo ela, um dos agentes teria dito: “No meu plantão não se zua, e no meu plantão ninguém tumultua, os dois vão se responsabilizar”. Ainda em depoimento, Rita disse que foi coagida durante o trajeto até a delegacia a confessar participação no crime, por meio de pressão psicológica. Ela começou e terminou o depoimento afirmando ser inocente. Flabson, por sua vez, confessou o crime, mas afirmou que colocou Rita no caso porque teria sido ameaçado por agentes penais. “Eles estavam ameaçando. Lá eles batem, descem o cacete , spray de pimenta”, disse. Segundo Flabson, ele estava deitado quando viu a sombra de Dandara, levantou, derrubou a vítima e passou a agredi-la. Em seguida, conforme o próprio relato, amarrou as mãos e as pernas dela quando ela estava desacordada e depois a asfixiou com uma toalha usada como pano de chão. “Eu estava dormindo assim, um olho aberto e outro fechado, porque ele já tinha batido em mim”, afirmou. Questionado pelo promotor José Arturo Iunes Bobadilla Garcia sobre o que teria ocorrido antes do ataque, Flabson disse: “Só falou que ia matar eu”. Em outro momento, afirmou: “Intenção de matar eu não tinha não, mas era a vez dela, chegou o momento dela”. Denúncia -  De acordo com a denúncia do MPE (Ministério Público Estadual), Rita Cadillac e Flabson Amaro dos Santos Alves são acusados de matar Darlan Alves Lemos dentro do IPCG. O crime, segundo o Ministério Público, ocorreu entre 16h30 e 18h, no Pavilhão 2, Ala Disciplinar, Cela 3 da unidade prisional. Os dois denunciados e a vítima estavam custodiados no mesmo local. A denúncia aponta que Rita e Flabson teriam ordenado que Dandara trocasse de cela. Com a recusa da vítima, houve uma discussão. Conforme o documento, Flabson teria avançado contra Dandara, que caiu no chão. Depois, a vítima se levantou e iniciou uma luta corporal. Ainda segundo o MPE, Rita teria se juntado à agressão. A denúncia afirma que Flabson imobilizou Dandara pelo pescoço, enquanto Rita teria usado uma toalha para asfixiar a vítima. O documento sustenta que a ação durou aproximadamente 50 minutos. Para o Ministério Público, o homicídio foi cometido por motivo fútil, com meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. O motivo fútil, segundo a acusação, seria a recusa de Dandara em obedecer à ordem de troca de cela. O meio cruel estaria relacionado à asfixia prolongada. Já a dificuldade de defesa teria ocorrido porque a vítima foi imobilizada enquanto era asfixiada. A denúncia também afirma que Flabson confessou a prática do crime. A materialidade, conforme o MPE, é sustentada por auto de prisão em flagrante, boletins de ocorrência e termo de exibição e apreensão. Rita Cadillac, registrada civilmente como Maick Franklin Raimundo de Oliveira, e Flabson Amaro dos Santos Alves foram denunciados por homicídio qualificado.

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